Soube também que você quis saber se podia me procurar.
Te disseram que não, por enquanto.
Eu acho que você deveria me perguntar.
Afinal, eu não mordo... Só de vez em quando.
Eu tenho recebido muitas notícias de ti...
Várias pessoas chegam, espontaneamente, para conversar comigo sobre o que acontece na sua vida, seus estados de espírito. E, incrivelmente, a história toda assume um aspecto em que todos tem suas opiniões e oferecem suas impressões e crenças sobre os fatos. As minhas, coitadas, são sempre tomadas como incoerentes.
Mas como eles podem saber?
O que sinto dentro de mim, a ninguém mais pertence. Teimam em me colocar rótulos, em não querer compreender a minha ótica de tudo que ocorreu. E o pior, apoiados no que leram aqui e interpretaram da maneira que mais foi conveniente as suas próprias idéias e percepções. Não aceitaram minhas dúvidas como elas se mostraram e nem tão pouco compreenderam a dimensão de tudo que me ligou a ti, que foi muito maior do que um simples caso de paixão. Acho isso tudo meio cansativo, porque não tenho mais a necessidade de conversar sobre isso para entender.
Aliás, acho que nunca tive. Sempre foi mais sensitivo, que racional. Agora que não mais dói, agora que eu tive realmente tempo e distância de tudo, inclusive de você, as coisas parecem se encaixar com clareza e praticidade na minha cabeça e coração. Agora, fica mais fácil discorrer sobre o que aconteceu sem que isso me machuque e de uma forma que faz sentido para mim.
E quer saber? Acho que ainda vou falar sobre tudo o que aprendi com isso com uma única pessoa: você. Afinal, nós estávamos lá, fomos os envolvidos diretos. Fomos nós que sentimos, vivemos, agimos. Quando? Eu ainda não sei...
Tem certas coisas que devem ser realizadas na hora, no impulso...
Ontem à tarde, eu estava passando os olhos em tudo o que está escrito aqui e uma única palavra subitamente adentrou meus pensamentos:
Sarou? Justamente assim, com ponto de interrogação, mas com um quê de surpresa, de estarrecimento ao reconhecer uma nova verdade interior. Pensei sobre esta pequena palavrinha e em tudo que ela representa. Sinto-me inteira, feliz novamente. Mas, na dúvida da precipitação, contive-me.
Esqueci-a... Blue Girl posted this at 18:21 .
terça-feira, julho 2
É preciso dizer adeus...
Vinícius/Tom
É inútil fingir
Não te quero enganar
É preciso dizer adeus
É melhor esquecer
Sei que devo partir
Só me resta dizer adeus
Ah, eu te peço perdão
Mas te quero lembrar
Como foi lindo
O que morreu
E essa beleza do amor
Que foi tão nossa
E me deixa tão só
Eu não quero perder
Eu não quero chorar
Eu não quero trair
Porque tu foste pra mim
Meu amor
Como um dia de sol
Tenho que admitir: ainda penso em você vez por outra. Quando isso ocorre, procuro só pensar em coisas boas. Nada que me machuque. E também não por muito tempo. Acho que estou me permitindo sentir saudades. E isso é bom, pois você vai ocupando um lugar especial, calmo, tranquilo, como tem que ser. Meus amigos têm sido fundamentais nesse processo. Tenho redescoberto o prazer de risadas alegres, descompromissadas, de interagir com outros universos distantes do meu umbigo. Estou começando a me sentir bem de verdade. É lógico que tenho curiosidade em saber de você. Mas castro esse desejo. Não me faria bem saber de você agora. Quem sabe um dia... Blue Girl posted this at 11:29 .
segunda-feira, junho 24
Disseram-me hoje que o que me atraiu em toda a nossa história foi a impossibilidade de ser completamente feliz. Tenho que pensar nisso, porque, durante um tempo, eu fui feliz. No meu ver, era tudo o que eu queria e precisava. Nada de compromisso, só amor e carinho. Tenho que pensar porque agi assim. Mas não agora. Ainda é muito recente. E tenho que ficar forte para as pancadas que virão adiante.
Sim, elas virão. Eu sei. Blue Girl posted this at 17:17 .