Soube também que você quis saber se podia me procurar.
Te disseram que não, por enquanto.
Eu acho que você deveria me perguntar.
Afinal, eu não mordo... Só de vez em quando.
Eu tenho recebido muitas notícias de ti...
Várias pessoas chegam, espontaneamente, para conversar comigo sobre o que acontece na sua vida, seus estados de espírito. E, incrivelmente, a história toda assume um aspecto em que todos tem suas opiniões e oferecem suas impressões e crenças sobre os fatos. As minhas, coitadas, são sempre tomadas como incoerentes.
Mas como eles podem saber?
O que sinto dentro de mim, a ninguém mais pertence. Teimam em me colocar rótulos, em não querer compreender a minha ótica de tudo que ocorreu. E o pior, apoiados no que leram aqui e interpretaram da maneira que mais foi conveniente as suas próprias idéias e percepções. Não aceitaram minhas dúvidas como elas se mostraram e nem tão pouco compreenderam a dimensão de tudo que me ligou a ti, que foi muito maior do que um simples caso de paixão. Acho isso tudo meio cansativo, porque não tenho mais a necessidade de conversar sobre isso para entender.
Aliás, acho que nunca tive. Sempre foi mais sensitivo, que racional. Agora que não mais dói, agora que eu tive realmente tempo e distância de tudo, inclusive de você, as coisas parecem se encaixar com clareza e praticidade na minha cabeça e coração. Agora, fica mais fácil discorrer sobre o que aconteceu sem que isso me machuque e de uma forma que faz sentido para mim.
E quer saber? Acho que ainda vou falar sobre tudo o que aprendi com isso com uma única pessoa: você. Afinal, nós estávamos lá, fomos os envolvidos diretos. Fomos nós que sentimos, vivemos, agimos. Quando? Eu ainda não sei...